Abrindo um pouco o véu das minhas intermitências

Precisava ser mais regular, mais metódica nas minhas partilhas. não por obrigação, bem entendido. por necessidade. não é falta de disciplina, nem desprendimento face a este espaço onde dou o que sou e sinto...

calhou-me em sorte um corpo estragado. fisicamente ou aparentemente sem nada de errado, fora o facto do peso que oscila como iô-iô, e de não ser uma Giselle. mas o meu corpo engana-me e engana-nos. e decide sem pré-aviso fazer greve e parar. não finge que pára. pára e pronto. eu bem que discuto com ele e digo que não, que não pode ser. eu bem que lhe mostro que não tenho vida pessoal, familiar e profissional para ter um corpo não funcional. tentei todos os métodos pedagógicos. com berros. sem berros. com estímulos pela positiva. e com muitos castigos. ele dizia páro. eu dizia não páro eu... andamos neste bailado mudo há anos, tantos que eu já nem sei. são muitas as vezes que eu (acho) que ganho. são algumas, mas muito significativas as que perco. ontem foi confrontada, com toda a certeza da minha derrota [visível há muito aos olhos de todos menos aos meus_quando não sozinha]

desta vez ele voltou a ganhar. eu eu vou ter de parar e fazer um tratamento de choque para ver se ele me obedece e podemos, a seu tempo, regressar ao ritmo alucinante em que o obrigo a viver. 

daí as minhas intermitências...
não desisto nem prescindo de lutar pelo direito a ter uma vida activa e feliz. mesmo que me custe anos de vida. e mesmo que a dor intensa seja uma companheira presente em quase todos os momentos da minha vida.

entre outras coisas sou fibromiálgica. e não, não é uma doença de tias. dói como o raioqueapartisse e tem um estigma social muito forte de descrença. ah! e depois tem pacientes como eu: que não aceitam ser fibromiálgicos, como se se pudesse ter escolha contra uma doença crónica sem cura...

e é assim que, intermitentemente, vou vivendo e apanhando os raios de sol entre os pingos da chuva... numa luta constante por ser(mos) felizes

nunca imaginei ter coragem de o escrever assim tão publicamente, mas, quem sabe, possa ajudar tant@s que, como eu vivem uma realidade quotidiana difícil, com muita solidão e dor à mistura. Quem sabe... e depois, há sempre a Myos

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