sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Jantares em família



Em nossa casa fazemos os ajustes necessários para jantar todos juntos, sentados à mesa. esta é a regra. esta é também a necessidade de criar o nosso momento a 5. não tomamos o pequeno almoço todos ao mesmo tempo, nem almoçamos juntos em casa (embora quase todos os dias acabemos por almoçar todos em casa, a horas desencontradas).
O tempo que dedicamos ao jantar, a forma como preparamos os ingredientes e as combinações mais saudáveis e saborosas, o tempo que passamos à mesa na companhia uns dos outros, são o nosso momento familiar diário por excelência.

Por isso lhe dedicamos atenção. Por isso nutrimos a preparação do jantar e da mesa (jantamos sempre na mesa da sala, com toalha de tecido e pratos, copos e talhares de todos os dias que são bonitos e simples, os mesmos que usamos quando vêm os nossos amigos). Confesso que pensava que isto eram absolutas banalidades sem sentido, mas tenho-me apercebido que muitas famílias não se sentam à mesa juntos e partilham a refeição (comendo cada qual no seu tabuleiro, no seu sítio, em frente à televisão  ou computador ou tablet) ... Respeito, mas não é a nossa opção.

Ontem fomos os dois mais velhos para a cozinha preparar mais uma refeição para todos. Muitas vezes, essa é uma tarefa do pai cá de casa que, desde que eu estive totalmente impossibilitada por questões de saúde, lhe tomou o gosto e tomou as rédeas à cozinha do nosso ninho.
Ele preparou uns rolinhos de legumes ralados, com queijo e especiarias, gratinados ao forno (não somos só nós a procurar incessantemente estratégias para todos comerem muitos legumes às refeições, e não apenas na sopa, ou na tradicional alface e palitos de cenoura, pois não?), e, já que o forno estava ligado, uma caçarola de arroz de forno tradicional (que nos servirá para alimentar o regimento também hoje).
Eu ataquei uns peitos de frango, que transformei nuns estaladiços mas saudáveis nuggets, que todos adoraram. Acompanhámos de um dip caseiro de maionese de salsa e alho e com muita muita conversa boa e algumas, muitas, gargalhadas.

A mesa é para ser vivida. Servir e partilhar o que somos, sentimos e comemos, torna-nos mais próximos e cúmplices.

Obrigada ao Casal Mistério que nos tem inspirado para inúmeras receitas e opções dos nossos jantares, lanches e miminhos (doces ou salgados). A receita de ontem vimos no seu site. Foi esta

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O Primeiro Dia. Quantas vezes ouvimos? Quantas vezes pensámos sobre o que estamos a ouvir?

O Primeiro Dia


A principio é simples, anda-se sozinho
Passa-se nas ruas bem devagarinho
Está-se bem no silêncio e no borborinho
Bebe-se as certezas num copo de vinho
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
Dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
Diz-se do passado, que está moribundo
Bebe-se o alento num copo sem fundo
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
Entra-se cansado e sai-se refeito
Luta-se por tudo o que se leva a peito
Bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
Olha-se para dentro e já pouco sobeja
Pede-se o descanso, por curto que seja
Apagam-se dúvidas num mar de cerveja
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Enfim duma escolha faz-se um desafio
Enfrenta-se a vida de fio a pavio
Navega-se sem mar, sem vela ou navio
Bebe-se a coragem até dum copo vazio
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
E outra maré cheia virá da maré vaza
Nasce um novo dia e no braço outra asa
Brinda-se aos amores com o vinho da casa
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.
Sérgio Godinho.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

"cosyness" | my winter and the need of a fireplace

Neste inverno temos sentido todos a falta de uma lareira de forma intensa. muito intensa. falta-nos o som da lenha que crepita em danças improvisadas com a chama que nos ilumina e aquece o corpo e a alma. temos falado amiúde desta nossa necessidade, mais que vontade, de termos a nossa lareira: fazermos o nosso ninho com o som, a cor, o brilho e o esplendor de uma lareira ardente.
...

enquanto não é possível de modo permanente, aproveitamos os momentos em que se torna uma realidade. como este fim de semana, entre amigos, chuva permanente, serra, frio e boa companhia. fizémos do tempo lá fora pretexto para nos aninharmos cá dentro em torno da lareira. lume e fogo. mantas e chá. livros e viagens sem sair do ninho. jogos de cartas, risos, filmes. chocolates e chá e conversa boa. comidinhas caseiras e retemperadoras e o som da chuva lá fora. lembrando-nos sem parar que estávamos a salvo na segurança e aconchego das paredes de pedra que nos acolhiam e abraçavam contra o vento e a intempérie.

É bom voltarmos onde sempre somos felizes e eu amo esta terra entre a serra do Arestal e a grande laguna do Vouga, (muito próximo do) berço dos meus avós e a forma como as relações humanas são vividas e como a cumplicidade da boa e sã vizinhança é alimentada nos pequeníssimos gestos carregados de amizade: nas ofertas e trocas dos produtos da terra. nas casas sempre abertas para um chá. ou um copo de vinho. ou licor de mirtilo, ou dois dedos de conversa. é bom voltarmos e eu fico sempre grata, feliz e enternecida quando regresso ao Couto. ao também já meu Couto. Porque berço e herança também se constroem de memórias afectivas e efectivas com novos espaços. porque já sou de lá como esta terra já é de mim.

Obrigada aos amigos que generosamente nos permitem sentirmos esta terra cada vez mais nossa. obrigada por construírem connosco peças do grande puzzle do nosso baú de memórias e tesouros.

Este fim de semana regressámos e com a chuva permanente, a lareira sempre quente e convidativa, as partilhas de memórias do passado e a construção de cumplicidades futuras vivemos uma tranquila e serena forma de felicidade.

E percebemos mais uma vez que um dia vamos ter a nossa lareira. e o nosso canto de serra ou de mar num dos sítios onde somos felizes. porque somos de lá como estes sítios são de nós.

imagem: weheartit.com


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Be like Dannish! Be happy

Conhecia o conceito (muito genericamente). aplicamo-o em muitas coisas (de forma inconsciente e guiados apenas pelas nossas necessidades como pessoas e família). na nossa casa privilegiamos as velas, as mantas, as almofadas, os materiais naturais e o natural aconchego e sensação de ninho.fazemos o nosso pão, não raras vezes as nossas bolachas, os nossos iogurtes e priveligiamos o consumo de produtos locais e da época. um dos nossos objectivos/desejos era passar a ter uma lareira em casa (em casa arrendada não é tão fácil assim concretizar ...). um bom programa envolve uma bebida quente, um bom livro, mantas e uma excelente conversa ... no fundo, tentamos viver o aconchego do lar e das coisas simples que podemos ter na [nossa]vida.

Depois de ler a entrevista da Visão sobre o Hygge (aqui), não resisti e fui buscar um livro para mim. para nós. 

Estou a amar o livro: o equilíbrio entre as cores, as dimensões, as ilustrações e fotografias, o desconcerto das frases e atitudes simples e descontraídas plenas de verdade e significado ... este livro ficará num lugar muito especial da nossa casa e das nossas memórias: no espaço precioso das coisas verdadeiramente importantes de relembrar, nutrir e acalentar. Que nunca nos falte o Hygge. que, quando, finalmente, voltarmos a ter um espaço nosso, que chamemos verdadeiramente de lar, ele seja reflexo do que somos e sentimos. Que seja Hyggelig!

Como diz no livro, relembrando as sábias palavras de Winnie the Pooh: "não é para soletrar, é para sentir" (pag. 6)



terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Hora de voltar

Esta é a hora de voltar. assim o sinto. 
Esta é a hora de partilhar novamente os prazeres simples de uma família ao mesmo tempo normal e atípica que é a melhor do [meu] mundo ... porque é a minha.
Deitada no sofá a (re)descobrir, pelo olhar do meu tesouro mais novo, o encantamento de ver o Titanic pela primeira vez com olhos e coração de gente grande (ao ponto de pedir à irmã que parasse de ser spoiler);
Deleitada a olhar o mar no primeiro dia do ano e a inspirar o cheiro a maresia e as pinceladas de água a dançar ao vento enquanto fazia promessas em silêncio de, neste novo ano, não me esquecer de mim e aproveitar os pequenos prazeres simples e verdadeiros da vida;
Enroscada numa manta a olhar a lareira a crepitar e com o calor de um bom livro nas mãos, enquanto o vento rugia lá fora;
Enquanto a vida se foi desdobrando em pequenos nadas com tanto sentido ...
E hoje que todas as rotinas voltaram num embate ao mesmo tempo angustiante e retemperador...

...senti uma saudade imensa deste meu canto e das minhas pessoas deste bairro virtual

Que dois mil e dezassete seja o que dele quisermos fazer. e que nunca no falte o amor e a teia de laços e abraços que nos protege e dá sentido e cor às nossas vidas.
Bem vindo novo ano. Que venhas por bem, que eu quero-te bem.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Ver o mundo. Sair de si. Ler mais do que uma única e a mesma página




"O mundo é um livro e quem fica sentado em casa lê somente uma página"
Agostinho de Hipona, século IV



Não abdiques de ler o mundo e de virar a página para aprender mais e melhor

[fote da imagem: weheartit.com]

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A minha história. a minha verdade. a minha tatuagem inscrita na alma


A minha história. a minha verdade. a minha tatuagem inscrita na alma