E eis-te chegada!

Por esta hora, há dezassete anos atrás olhava-te sem parar. cheirava-te. dava-te a conhecer o meu cheiro. enamorava-me de ti para toda a vida. sim, comigo foi imediato. foste a primeira e quisémos respeitar o mistério da natureza até ao teu primeiro choro: só aí soubémos que eras uma menina. Passei a noite num namoro pegado contigo: a nossa primeira noite de amor ex-útero. mamaste bem. sabias fazê-lo na perfeição. aliás, tudo em ti era perfeito: o farto cabelo preto, os olhos cor de azeviche, a pele morena como se estivesses a chegar de férias de um país tropical. eras a nossa mais perfeita demonstração do amor que nos unia. e une. vieste constituir mais um ela nessa cadeia. Há dezassete anos quiseste nascer a vinte e oito como a feira da terra. recusaste os prognósticos de que só a vinte e nove ou trinta te conheceríamos finalmente. trinta e sete semanas depois do milagre do encontro, encontraste-te connosco num (já) nada frio quarto de hospital. amo-te rapariga. desde que sabia que pulsavas dentro de mim. amar-te-ei pela vida fora, sabendo que te perco um bocadinho mais a cada data destas que se celebre. que venham muitas. contigo sorridente e feliz. e connosco aqui para te abraçar.
parabéns filha. que a vida te seja desafiante mas reconfortante.


a tua mãe a 28 de junho, pelas 23.45h

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