Sete [mais três]


Não consigo, como gostaria, de manter os registos das situações e momentos mesmo mesmo importantes nas nossas vidas em perfeita harmonia com os dias em que ocorrem. admiro quem o faça. eu, pelo menos para já, não consigo. a vida real ocupa-me o tempo disponível, e a ânsia de viver os momentos, prepará-los, programá-los, ajudar na sua concretização, sobrepõe-se à solidão ou quietude melhor dizendo, que necessito para escrever. posso afirmá-lo: o real sempre será prioritário face ao virtual. viver os momentos só posso naquele momento. gosto de sentir saudades do que vivi com intensidade. estando lá. inteira. mesmo que isso faça com que o meu pequeno príncipe rebelde já tenha feito s-e-t-e anos há três dias e só agora registe aqui o momento.
sete. sete anos. estou incrédula. como sete anos? somos cinco há sete anos e três dias e sinto que não podia ser de outra forma, mesmo que os calendários de chegada tenham sido decididos pela natureza. acolhemos a ideia de sermos cinco. e estes sete anos têm sido plenos de desafios.
deixaste-me ser tua mãe. deixaste-me conhecer os desafios de educar no masculino. logo eu que venho de uma família matriarcal. deste-me esse privilégio e esse desafio. sim. é diferente. muito diferente. ou tu és diferente. como a mana mais velha é diferente da mana mais nova e elas as duas de ti. sou mãe de três filhos únicos e tu és o meu [cada vez menos] bebé. vão terminando todos os resquícios de bebezice em casa e eu nem sempre sei lidar com isso. mesmo nos momentos em que, momentaneamente me passa pela cabeça, onde é que me fui meter. sim. não sou zen e cool todo o tempo.nem a maior parte do tempo sequer. mas sou tua mãe com todo o orgulho do mundo e mais além. mãe do menino desdentado mais traquina-e-meigo-tudo-em-um que adoro de paixão.
fizeste sete anos e quiseste ter um piquenique, subir e descer a teia quantas vezes te apetecesse, ir brincar e passear nas margens do mondego e fazer os vossos pequenos corpos  escorregarem pelas rampas do skaters depois deles terem saído. nada complicado. nada fashion. piquenique tradicional à séria com manta no chão, a benção da sombra das árvores, e muita brincadeira. quiseste um bolo de chocolate, que eu, qual gata borralheira, prontamente acedi. e quiseste uma ovelha choné preta dentro da cerca. claro que ovelha choné que se preze quebra todas as regras e protocolo e quando saltou para dentro da cerca do bolo de chocolate, um dos lados da cerca era já espaço livre para não se sentir presa. aliás, como tu. foi curioso ter sido a ovelha choné a tua escolha. sintomático.
pediste também uma bandeirola para os teus amigos saberem qual era o nosso espaço. mais uma vez, sem rigor, mas com muito amor, acedi ao teu pedido, tão simples, que te deixou tão contente. para presente, prenda, coisa que se desembrulha de um papel colorido... não pediste nada!




amo-te.

vivi parte do dia na nostalgia da memória do que estava a ser aquele dia sete anos atrás. e sete anos depois, tudo continua a fazer sentido. com todos os desafios que nos colocas e nos são colocados por seres o nosso terceiro rebento, só assim faz sentido. não podia ser outra a nossa história.
obrigada filho por me deixares amar-te. mesmo quando não dás beijos nem abraços porque "a máquina original só trazia um e esse já gastou-se!"
já te disse que te amo meu pequeno príncipe T.? 
parabéns filhote

[as fotos, desfocadas com a emoção são desta eee]

Comentários

  1. Muitos parabéns ao Tomás, princípe desdentado. Acho o máximo sorrisos desdentados de meninos pequenos...lembra-me o meu primogénito ;) tudo de bom para vós.

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