Querida Sofia,

eu considero-me um pessoa palavrosa, dona de milhentas palavras que se atropelam ora na ponta da minha línga ou dos meus dedos ... mas as palavras abandonam-me sem pré-aviso de greve nestes momentos decisivos. Em que queremos ter a palavra certa para dizer. Sussurrar -te no coração a palavra mágica que lave a tua dor ... e não consigo! E não me perdoo por não conseguir ...

Nunca estamos preparados para a dor da perda, para enfrentarmos de frente que nunca mais vamos abraçar aquela pessoa, ouvir o som da sua gargalhada ... mesmo que ela se vá anunciando, nunca estamos preparados para a visita da grande ceifeira, que vem e engrossa a sua bolsa de vidas preenchidas, de gente amada.
Gosto de acreditar que agora a tua avó recuperou a totalidade da sua memória: que não baralha um nome, um cheiro, um momento ...

Estou muda de palavras e nada do que escrevo me satisfaz ... não saberás o que significas para mim e a culpa é minha, porque se sou eu que sinto compete-me a mim transmitir-te o que a nossa amizade significa desde sempre, já lá vão tantos anos.

Deixo-e um beijo, um afago, um abraço que vença a dor e a distância

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